domingo, 21 de abril de 2013

BATE BOLA com Sambaquy




















O terceiro campeonato brasileiro foi realizado em 1972, em Caxias do Sul. Na década de setenta os preços de viagens aéreas era proibitivo para muitos botonistas, e as reclamações começaram a surgir em todos os quadrantes do país. Por ocasião do segundo campeonato, realizado em Recife, ficou estabelecido que esse terceiro fosse no sul, mais precisamente na cidade que havia representado o estado nos dois primeiros certames.

Como presidente da então Liga Caxiense de Futebol de Mesa, escrevi aos demais presidentes sugerindo uma modificação na forma de realização do campeonato. Nesse campeonato não haveria a disputa por equipes, evitando dessa forma o deslocamento de mais três integrantes para a nossa cidade. Aprovado por todos, resolvemos denominar de 1ª Taça Brasil de Futebol de Mesa, pois iria ser diferente dos campeonatos já realizados. Com o tempo, por decisão dos administradores da Associação Brasileira de Futebol de Mesa foi considerado como sendo o terceiro brasileiro.

Com os convites despachados, tratamos de procurar o presidente da Comissão Municipal de Desportos, o senhor Mário de Sá Mourão e mostramos o projeto daquilo que pretendíamos realizar. O apoio foi imediato, tendo o Conselho Municipal patrocinado todos os troféus, alojamento e alimentação para todos os participantes. E quando falo em troféus a todos os participantes, não exagero, pois cada um recebeu um troféu de participação, que na foto que percorreu o Brasil aparece, junto com os lindos prêmios aos quatro melhores botonistas.

O campeonato seria realizado em duas chaves, jogando todos contra todos na mesma chave. Para divulgar a Regra Brasileira no Rio Grande do Sul, convidamos duplas de Canguçu (RS), Criciúma (SC), Belo Horizonte (MG), Aracajú (SE), Salvador(BA), Rio de Janeiro(RJ), Maceió (AL) que juntamente com os representantes caxiense: Vanderlei Duarte e Marcos Fúlvio Lucena Barbosa compunham o quadro de atletas.


























O jornal Correio Riograndense, em 15 de julho de 1972, data em que iniciava o campeonato, publicou a ficha de nossos representantes, enaltecendo os seus feitos e conquistas.

A chave A recebeu os seguintes botonistas: Eduardo T. Narciso Rocha (Santa Catarina), Vicente Sacco Netto (Canguçu), Orlando Nunes (Salvador), Antonio Carlos Martins (Rio de Janeiro), Hilton Oliveira (Minas Gerais), José Marcelo (Sergipe) e Vanderlei Duarte (Caxias do Sul). Classificaram-se nessa chave: Orlando Nunes (Bahia) e Antonio Carlos Martins (Rio de Janeiro).

Na chave B, os botonistas eram Claudio Mussi (Canguçu), Antonio Cesar (Sergipe), Marcos Barbosa (Caxias do Sul), Antonio Luiz (Santa Catarina), Uacy N. F. Costa (Alagoas), Fernando (Rio de Janeiro) e Jomar Antonio de Jesus Moura (Bahia). Classificaram-se Fernando (Rio de Janeiro) e Jomar Moura (Bahia).

A fase final com os quatro melhores botonistas apresentou os seguintes resultados:

Martins 1 x 0 Fernando

Jomar 1 x 1 Orlando

Jomar 0 x 1 Fernando

Orlando 0 x 0 Martins

Orlando 3 x 1 Fernando

Martins 0 x 0 Jomar.

Com isso terminaram empatados na primeira colocação Martins e Orlando e na terceira colocação Jomar e Fernando.

Na decisão de terceiro lugar: Fernando 1 x 0 Jomar.

Na decisão de primeiro lugar: Martins 0 x 0 Orlando, sendo então necessária a decisão por pênaltis à distância, quando Martins vence a Orlando por 4 x 1.

Campeão recebendo o Troféu Victório Trez: Antonio Carlos Martins (Rio de Janeiro)

Vice campeão com o troféu Câmara de Vereadores: Orlando Nunes (Bahia)

Terceiro Lugar, troféu Mansueto Serafini Filho: Fernando (Rio de Janeiro)

Quarto Lugar, troféu Liga Caxiense de Futebol de Mesa: Jomar Moura (Bahia)

Troféu Caxias do Sul para a defesa menos vazada: Martins (Rio de Janeiro)

Troféu Goleador do certame: Orlando (Bahia).

Todos os participantes receberam o troféu Conselho Municipal de Desportos e os árbitros e componente da imprensa receberam medalha alusiva ao encontro.

No jantar de despedida, nas dependências da AABB – Caxias do Sul compareceram os senhores: Prefeito Municipal Victório Trez, Vice Prefeito Mansueto Serafini Filho, o Presidente da Câmara de Vereadores Sr. Ilson Kayser, os integrantes do Conselho Municipal de Desportos Mário de Sá Mourão, Joel Bastos de Souza e Odilo Tirelli, gerente da agência central do Banco do Brasil, além de Lauro Finco, presidente da AABB.

Detalhes do campeonato.

O certame foi desenvolvido no ginásio de esportes da AABB. O botonista carioca Martins, conversando com o filho de nosso associado Marcolino Pereira (Tico), combinou que no inicio do jogo (naquele tempo era proibido usar relógio durante as partidas), ele sentasse no degrau mais alto da arquibancada e a cada cindo minutos fosse baixando, mostrando assim quanto tempo teria ainda de jogo. O premio que o garoto recebeu foi um time do Vasco da Gama. Martins jogava com botões cavados na defesa e lisos no ataque. Ninguém conseguia chutar em sua meta... em todo certame levou dois gols.





















Como o certame foi realizado em julho, época de frio intenso, os nordestinos sofreram um bocado, pois o ginásio amplo fazia sempre circular um ventinho gelado. Na rua era pior, pois o frio fazia todo mundo estar sempre agasalhado. E, cada um de nós emprestava japonas, sobretudos e roupas quentes para que eles pudessem aguentar.

A divulgação foi muito grande e recebemos visitas no ginásio de diversos lugares do estado, sendo que a mais distante cidade foi Uruguaiana, onde um botonista admirou-se da quantidade de brasileiros jogando futebol de mesa. Hoje em dia, quando os campeonatos reúnem centenas de botonistas, acredito deixaria o nosso amigo da fronteira de boca aberta.

Os dois sergipanos chegaram a Caxias com um dia de antecedência e eu aproveitei para levá-los a conhecer a fazenda de um amigo baiano, no interior da cidade. Era manhã e o sol estava escondido. Então falei para eles que os gaúchos não necessitavam de geladeira, quando queriam gelo para colocar na bebida. Os dois ficaram me olhando desconfiados. Então me abaixei e apanhei uma poça de água congelada do chão. Acredito que eles gastaram um filme em fotos feitas para mostrar aos botonistas sergipanos.

Todos foram hospedados em um hotel, no Bairro de São Pelegrino, com direito a refeições e café da manhã, tudo por conta do Conselho Municipal de Desportos. Foi uma retribuição ao que havíamos recebido em Recife no ano anterior.

O troféu de campeão ficou em exposição no Colégio Martins, em Vila Izabel, no Rio de Janeiro, logo em frente à sala da diretoria. Acredito que foi o maior troféu ganho pelo carioca Antonio Carlos Martins. Pelo menos em tamanho.

As funcionárias do Banco estiveram presentes nos dois dias de disputas e participaram do jantar de encerramento, abrilhantando ainda mais a festividade. Depois disso o futebol de mesa na Regra Brasileira tomou conta do Rio Grande do Sul. Pena que no ano seguinte eu fui transferido para a cidade de Brusque (SC), onde iniciamos um movimento exitoso de futebol de mesa, o que infelizmente não continuou por diversas contingências e alguns contratempos. Até sede própria nós conseguimos construir. Hoje está de posse da Prefeitura, pois não existem mais interessados em praticar o esporte.

Um comentário:

Marcio Neves disse...

Amigo Gothe:

O Borussia Dortmund é um exemplo de time europeu que marca fortíssimo, aliado a um excelente toque de bola com troca de passes, e com ótimos finalizadores.
O time possui um forte contra-ataque. O Borussia fecha muitissimo bem as duas linhas de quatro.
O Real Madrid também joga com duas linhas de quatro fechando a zaga e troca passes muito bem. Tostão chama o estilo de Mourinho de pragmatismo criativo. Vai ser um jogão pela Liga dos Campeões.

Um abraço,

Marcio Neves